PÃO NA CHAPA  


Mudamos

Este blog mudou de endereço, para um pico com mais recursos. Agora o Pão na Chapa está no endereço abaixo, é só clicar em:

zeguto.blogspot.com

Entrem lá, grande abraço


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 21h01 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Seis

 

Muricy conseguiu. Ele foi o grande regente do São Paulo menos brilhante de todas as suas conquistas nacionais. Menos brilhante mas não menos eficiente. E não menos espetacular. Porque a virada e arrancada do Tricolor no segundo turno, ficando os últimos 18 jogos sem perder, é uma das mais incríveis da história do futebol mundial. Voltando a Muricy, ele ajeitou o time, fez de Zé Luís um dos homens-esquadra da equipe, um novo Mineiro a ser o desafogo na marcação e no apoio de toda a equipe; descobriu o menino Jean, que ajeitou o meio-campo, permitiu que Hernanes brilhasse e ainda destilou bom futebol e um dos gols do título: contra o Botafogo, no Rio; deu confiança a Borges e Hugo e os transformou em jogadores-chaves do título: os artilheiros do time (que quase foram mandados embora pela diretoria e que foram muito xingados pela torcida, eu incluído) e um dos armadores (Hugo); e ainda fez Dagoberto finalmente jogar bola e se empenhar até na marcação. Ah, e Muricy ainda mandou Richarlyson para o banco e depois disso, coincidência... nunca mais perdemos.

Poucas vezes a mão de um treinador foi tão grande em uma conquista. De resto, o super mito Rogério Ceni fez mais grandes defesas neste campeonato que nos outros dois títulos nacionais que protagonizou; a nova defesa, com André Dias (monstro maior da zaga), Miranda e Rodrigo, não perdeu um jogo; e aquele que é para mim um dos grandes nomes do hexa, foi de novo, a partir da reta final, o grande articulador da equipe e rei das assistências, "Salve" Jorge Wagner. Faltou só o craque Hernanes, o homem responsável por desestruturar muitos adversários com belos dribles, longas passadas zidaneanas e chutes a la Falcão, o ex-mito da seleção. Merecidísimo campeão, tri e hexa. O resto é choradeira de incompetentes e secadores.

 


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 22h09 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





 Rainha, 20 (22) anos depois

Poucos estão dispostos a resgatar a história nesse mundo em que impera a ditadura do novo. Algo tão bonito chamado saudade, para muitos é fraqueza negativa, é saudosismo, coisa de velhos apegados ao passado. Graças que duas meninas (o tempo não passa pra quem guarda os sentimentos mais belos e verdadeiros da infância) deram um basta numa separação de 20 anos. Resolveram fazer uma festa de sua turma, 20 anos depois da formatura na escola.

Deixei o Rainha há 22 anos, formado na turma de 86. Passei alguns bons anos visitando a escola (o bom Geraldo sempre me convidando a entrar), procurando professores antigos, procurando cada cantinho que me formou. As escadas, muretas, quadras, corredores, salas. Os caminhos e lembranças de uma juventude mágica. Os anos incríveis que não terminavam na escola, porque eram tempos em que as turmas de amigos se visitavam de tarde. Andavam juntos nas ruas a pé ou de mobiletti, jogavam bola, muita bola e, claro, reuniam-se nas festinhas que rolavam quase toda 6ª feira na casa de alguém.

Na casa de alguém, pois as baladas em casas noturnas ainda eram raras. E porque preferíamos ficar com a nossa turma, em vez de lugares cheios de estranhos. Nas festas, geralmente na casa da prima Eli, aquela a quem um dia apresentei um certo Fernando Migliaccio, que um dia ganhou o apelido de Miguilim, dado por um certo Ronaldinho Pinheiro, irmão de um certo Eduardo, esse da sua turma de 88. Esse um tricolor e roqueiro fanático como eu, como o Ernani, porque quem passou pelo Rainha parece ter sempre uma conexão especial. Por isso o Ernani e sua banda tocando o rock bazuca dos anos 80, na festa de sábado, foi perfeito. O mesmo rock que me fez cruzar o Piotr anos e anos em shows Sampa afora.

A casa da gente era o Rainha, as casas de nossos amigos e as fazendas, sítios e praias para as quais viajávamos. Poucas praias, porque naqueles tempos talvez nossos pais prezassem mais a paz do interior que a loucura da estrada e multidão da praia. Aposto que a turma de 88 de vocês também teve muito leite de vaca, doce de leite caseiro e farras homéricas em sítios e fazendas.

As farras que continuei a ter, depois que a Eli só queria saber do Miguilim hehe. Aí as turmas se cruzaram (na verdade, já haviam muitos amigos em comum entre o pessoal que sairia em 88 e 86, até nasceu um clube de futebol reunindo essa moçada, o inesquecível Independente Futebol Clube, criado pelo Deco e onde um dia tive o orgulho de começar a jogar) e o sítio passou a ser do Cláudio em carnavais históricos... mas isso é outra história.

Pensando em Cláudio, vital também é lembrar de quem tinha a raça de fazer todo ano grandes festas, como adorava também minha santa mãe. E como ela adorava a melodia do cavaquinho do Daniel, ora só, vejam só, o homem da vida de umas das guerreiras que organizou a festa dos 20 anos. O mesmo Daniel que um dia me levou para as Pitangueiras e me fez tentar pela primeira vez, surfar. E ele ainda me daria, de presente (!) minha primeira prancha. O surfe que logo faria parte de minha vida como um segundo coração, outro lar, playground e catedral.

Lembro agora do Miguilim e de nossa infância em Campos do Jordão embalados por Lulu Santos, Como uma onda, "a vida vem em ondas como o mar..." Mas Lulu talvez esteja errado, pois talvez, essa festa resgate o que o cantor não acreditava, "nada do que foi será do jeito que já foi um dia"... Pelo menos em algumas horas, percebi uma imensa alegria em tantas pessoas da turma de vocês e alguns bicões de 86 como eu. Alegria por lembrarem. Alegria por celebrarem o passado marcante e vital que tiveram juntos. E alegria, por que não, para sonharem com um futuro em que seus filhos também serão amigos como nós fomos.

Amigos do peito como um dia fui de um cara que simplesmente não parou de falar com cada um, empolgado, durante a festa toda, o grande louco Carlinhos, perdão, Doutor Carlos. O grande Carlinhos das zoeiras mais loucas em Campos, das reflexões olhando pro mar do sótão de Peruíbe. E ainda havia o Deco, que já foi irmão caçula e parceiro de tantas (Ribeirão, Decão, tô puto haha), Berê, o Japonês, grande Márcio, com seu mesmo jeito de alta voltagem de camaradagem do passado, e o cara que já foi também algo raro chamado "melhor amigo", Miguilim.

Miguilim, personagem de Guimarães Rosa, escritor do Brasil profundo, do Brasil do povo mais simples e humano, lá nos grandes sertões. Miguilim, um personagem que só poderia renascer em uma escola mágica chamada Rainha da Paz.

Obrigado, Lu e Juliana, pela maravilhosa máquina do tempo que construíram.  


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 22h58 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A menina que surfa com uma bola no pé

(na foto antiga, ela é a única menina no time de futsal da sua escola)

Segundona. Último dia na escola da praia. Na escola e praia que foram minha casa esse ano todo. Na escola que, triste demais, está fechando. Madruguei para surfar antes das aulas. Queria pegar a missa das seis lá dentro, na catedral azul. Netuno se escondeu, e minhas tão presentes companheiras do Itararé simplesmente não estavam lá. Não havia ondas. Na escola também não estava mais presente aquela turma com quem surfei as mais belas ondas da educação com amor. Mas sempre há algum surfista de alma, basta sabemos olhar e sentir, como percebi em minha outra turma. Veio então aquele presente surpreendente, de uma aluna difícil mas tão valiosa. Um bloquinho de notas artesanal feito por crianças humildes. Um pequeno caderno para minhas palavras futuras; feitas em folhas de vontade, embrulhadas em saudade. Valeu, Julia.

Palavras são menores que gestos e olhares. São menores que outro presente inesquecível. Um presente vivo, que seria construído com arte, beleza, alegria e parceria por outra menina. Ana Luiza sempre me chamava pra jogar bola com ela nos mágicos e longos intervalos da Escola Americana de Santos, 30 minutos, mas eu ficava tomando aquele café da manhã gostoso com a moçada da turma mais velha. Mas ontem, no último dia, joguei com ela.

Horas mais tarde, na estrada de volta para Sampa, as imagens e sensações das tabelinhas com a Ana permaneciam como o sal sagrado após uma session de surfe. Como uma onda perfeita que a gente não esquece.

Foram tabelas e mais tabelas. Foram passes com afeto. Foram gols e alegrias sinceras. Foram nossas últimas brincadeiras na escola que foi o lar dela por tantos anos. Na escola que ela aprendeu a amar. Talvez por isso a Ana conheça tão bem cada cantinho daquela quadra. Mas não é por isso que ela joga tão bem. A menina é um talento natural raro. Nasceu para jogar bola. Incrível como parece flutuar pela quadra numa aceleração de bailarina que é jogadora de futebol. Incrível sua objetividade, seu jogo vertical em direção ao gol. E sua humildade ao achar que não joga bem.

Acorda, minha querida aluna e parceria desse jogo tão belo, você é especial também com a bola nos pés. Por isso acredito tanto que seu sonho de jogar bola e estudar fora vai dar certo. Porque ontem eu e você jogamos como se estivéssemos surfando. As ondas nasceram, como mágica, de nossas jogadas, de nossa vontade. Da nossa vontade de partilhar a bola como se estivéssemos lá atrás esperando as ondas mais bonitas.

Obrigado por essa partida que ficará em minha memória talvez para sempre. Como poderia esquecer a minha última onda na EAS?

Vai fundo, artista, você surfa com a bola nos pés.


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 21h55 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Uma escola, um só time

Texto por ANA PAULA ALBINATI *

Fotos RAPHAEL LOUREIRO *

Ex-alunos. Hoje, heróis. João e Renan.

    Mais que uma escola, os alunos do Colégio Horizontes Uirapuru, em Pinheiros, formam um verdadeiro time unido. No final de novembro, toda a escola se emocionou com a palestra dos atletas que estudam ali com bolsa. Eles nos ensinaram o valor e beleza do esporte e ainda como conseguem treinar duro sem descuidar dos estudos. Entre diversas modalidades, descobrimos gigantes da vida em nossos próprios colegas.

O paulistano Lucas, do 2º colegial, que conhecíamos apenas como o craque do futsal da escola, revelou sua experiência em times de base no futebol. Já passou pelo Palmeiras, Nacional e atualmente treina na Portuguesa. Seu maior sonho? O garoto não poupa as palavras:

“Vou jogar na Seleção Brasileira.”

    Eduarda (2º ano), tem uma história diferente: a tenista saiu da calmaria de Marília e veio para a cidade grande em busca do seu sonho de jogar profissionalmente. Já venceu 25 torneios amadores e acaba de estrear como profissional. “Fiz meu primeiro ponto no circuito mundial”. Duda sabe que a vida no tênis é complicada, como em todo esporte, por isso “não se pode largar mão dos estudos, pois este caminho é muito incerto”. Talvez essa incerteza exista apenas para equilibrar a força que essa atleta carrega dentro de si. Força de continuar batalhando e vencendo.   

    Continuando no time das meninas, conhecemos Daniela e Victória, que apesar de categorias diferentes (no Paulistano) encontram-se no mesmo sonho:  continuarem sendo líberos dos times de vôlei que defendem. Apesar dos olhares frágeis de meninas do 9º ano e 2º colegial, mostram-se fortes para, como dizem, “levar porrada”, pois esta é a função que desempenham durantes os jogos. Tomam porrada das cortadas das adversárias para defenderem bolas quase perdidas.

Essa toma porrada sem medo. Victória.

    Além do esporte, o encontro teve também as lições das atletas das passarelas e sessões de fotos, as modelos Maria Emilia e Mariana. Ambas meninas do interior (Bauru e Pato Branco) que vieram tentar brilhar no mundo da moda paulistana, elas alertaram a molecada sobre os riscos da profissão: "Tem muita menina que convive com a gente que escolhe o caminho errado, das baladas e das drogas", revela Maria Emilia. Caso raro de modelos que dão o sangue na escola, ela ainda mostra como é diferente, junto da colega de classe (2o. colegial) e de apartamento, Mariana: "A maioria das meninas que moram com a gente vão mal ou desistem da escola. Não é o nosso caso."

 

Mariana e Maria Emilia. Modelos e estudantes exemplares

    Do vôlei ao basquete, Thomas, Nicholas, Diego e Pedro contam do sacrifício diário que fazem para estudar e treinar. Thomas acorda às 4 e 30 da madrugada, pega dois ônibus para ir à aula e depois passa a tarde treinando duro, até de noite. À noite ainda estuda para a escola antes de dormir e repetir tudo isso 5 dias por semana; fora os finais de semana em que passa competindo. Os quatro garotos, entre 14 e 17 anos, disputam campeonatos estaduais, nacionais e até internacionais, representando nossa seleção. Os sonhos e a vontade desses meninos são tão grandes que, apesar de suas alturas, não cabem em si próprios.

    A natação, o tae kwon do e a ginástica artística  também estão presentes no nosso grande time. Os nadadores Murilo Monteiro (Pinheiros) e Marina Ogawa (Paulistano); o menino das artes marciais, Guilherme Nogueira (academia Alto dos Pinheiros) e a ginasta Thamara (Paulistano) defendem clubes e academias em busca de títulos, sonhos e do bem estar que o esporte produz. Deixam o esforço físico, a dor e as críticas longe dos tatames, da piscina e dos aparelhos de ginástica.

    Chegamos depois ao remo, em que recebemos os ex-alunos que já são grandes professores e ídolos, Renan Koplewski e João Pallassão. Essa dupla, da seleção brasileira, é o espelho hoje para seus companheiros de clube (o Paulistano), Léo Cocci e João Victor Zago, ainda no 2º colegial. João e Renan, 21 anos, representaram o Brasil nos Jogos Panamericanos do Rio´2007 e Renan trouxe até uma maravilhosa medalha de prata no barco do 8 com timoneiro. Os remadores treinam em 2 períodos (no final da madrugada e final de tarde), em uma vida mais que sacrificada. Parecem viver como o ídolo que tem em comum, o boxeador do cinema, Rocky Balboa, mestre de um esporte chamado “lutar”.

João Zago. Começou a remar porque um dia viu uma palestra de João e Renan

    Por fim, o tradicional futsal da escola, um belo e apaixonado trabalho do professor de Educação Física, Fernando. Ele foi representado na palestra pelos irmãos Brito: a pequena valente, Natália, guerreira do bom time das meninas do sub 14; e Eduardo, o habilidoso ala do sub 17. “Por mais que nossos adversários sejam difíceis, ele sempre nos faz acreditar que podemos vencer”, revelou Natália.

     Finalmente, um agradecimento a um grande incentivador desses atletas, o professor de redação e “treinador para a vida”, Zé Augusto, que idealizou esse encontro. Independente das dificuldades que possamos ter, o Zé nos mostra o caminho da esperança que revelará o verdadeiro potencial que guardamos dentro de nós. Ele acredita que podemos tornar realidade, em nossas vidas, aquela canção do Queen: “We Are The Champions!”.

Escola toda mobilizada esperando os atletas

 

* alunos do 3o colegial do Colégio Horizontes

 

 

 

 


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 18h40 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Um cachorro na esquina

    Ontem fim de tarde. Esquina da Heitor Penteado com a Pereira Leite. Farol fechado na minha pista, para pegar a descida da Pereira. Na direita, zilhões de carros e buzões indo pra Lapa ou Cerro Corá. Foi quando o vi. Um cachorro felpudo (tipo sheepdog, mas metade do tamanho) com cara triste, muito triste, olhava caladão, parado-sentado em frente de uma portinha pequena e detonada ao lado de um muro sujo. Devia se tratar de um cão humilde, de dono que não tava nem aí pra dar um banho no meninão acinzentado. E, com aquele olhar triste, e com a fachada deteriorada daquele lugar (de onde ele parecia vir), desconfiei que o bicho não recebia muita atenção, carinho e cuidado. Comecei a viajar, vendo a calma e pose de estátua do bicho, sobre a estupidez e loucura daquele monte de carros e pessoas com pressa e mal humor dentro da maioria dos veículos.

    O que o cão devia pensar da vida apressada, estressada e cinzenta dos paulistanos? Qual o sentido de estarmos sempre em movimento, mas sentados dentro de um estúpido carro ou ônibus, veículos ou sem graça (o carro é a solidão em 4 rodas e anda cada vez mais caro) ou desconfortáveis e ultra barulhentos (buzão)? Sorte de quem pode curtir o conforto e barulhinho gostoso do metrô, que ainda permite ver as pessoas, até dar uma secada na mulherada, mas isso, claro, longe do horário de pico e das proximidades das estações Paraíso ou Sé... e longe do isolamento dos mps3´s e iPods, esses castradores do contato e relacionamento humano, mas isso é assunto pra outro post...

    Volto ao cão e seu olhar triste de desconsolo com si próprio e com essa neurótica humanidade da grande cidade. A visão que levaria pra minha casa seria de tristeza e pena, de nós e do bichinho, mas aí eles apareceram. A pé, claro. Ele, aquele típico sangue bom de bem com a vida, andando com uma mulher e fazendo-a sorrir. Ela, uma bela gata que sabe sorrir fácil e sincera. Pois ela passou do lado do bichinho, falou algo com ele e foi então que o cão mais triste do mundo deu o olhar mais bonito e doce do mundo. Ele virou o pescoço, ela seguia falando com ele enquanto caminhava e o olhar do bichinho era uma explosão de amor à primeira vista e carinho pidão.

    O sinal abriu, tive que vazar. Mas tenho certeza que aquela bela moça, em todos os sentidos (até na blusa amarela alegre que usava), retornou um passo e fez um cafuné gostoso e inesquecível no bichinho. Depois ela teve que voltar ao seu trabalho e o cãozinho deve ter ficado parado ali na frente daquela portinha horas e horas esperando-a voltar.

    Ela não volta e ele tem que voltar, se arrastando e com o velho olhar triste, pra dentro daquela portinha toda zoada e mal cuidada. Ou fica parado de novo olhando a estupidez e violência do transito e dos humanos (?) que não falam com ele nem dão uma paradinha pra lhe fazer um agrado.

    Eta vida besta. Mas, graças a Deus, o mundo voltará a girar quando outra bela mulher ou criança pura parar naquela esquina para acarinhar o cachorro que parecia um santo abandonado esperando para que se provasse que a humanidade está perdida de vez ou ainda tem salvação.


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 18h55 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Renascer

    É para lá que corremos.

    É para lá que deveríamos poder correr todos os dias.

    É lá que deveríamos entrar todos os dias.

    É de lá que ouvimos o chamado mais intenso. O chamado que faz um surfista e um vivente ter mais sentido. Ter mais vida.

    Lá. Para o Pai Azul.

    Lá. O Lar.

    O lar mais parecido com aquele lugar de onde viemos, de donde nascemos, o ventre líquido tubular de nossa mãe. O tubo materno.

    Preso aqui nessa cidade sem mar e ainda amargando uma dura dor na coluna (que teclar aqui só agrava, mas se não posso surfar, deixar também de escrever seria o mesmo que parar de respirar), o único alívio é esse vídeo e essa canção. Verdadeiro remédio muito melhor que esse comprimido que não faz efeito que estou tomando.

    O remédio das lembranças da infância e adolescência de corredor. O santo remédio do destino final ser o mar.

    Nunca gostei nem na verdade procurei conhecer direito a banda Belle and Sebastian, mas a melodia e o canto suave dessa canção conseguem nos transportar no tempo e no espaço. Por 3 minutos e 23 segundos estou sem dor correndo para o mar.

    Correndo, correndo, sonhando, vivendo.

  

    * Obrigado ao pessoal do melhor blog de surfe e vida do mundo, o Ondas (http://ondas.weblog.com.pt), por ter nos dado mais um presente, justo eles que deveriam é ganhar presentes, por fazerem 5 ano de vida. 5 anos de ondas poéticas e profundas como esse vídeo maravilhoso que pegaram de um gênio do cinema e uma banda que faz, sim, sonhar e (re)viver.

 


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 08h54 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, ALTO DE PINHEIROS, Homem, de 36 a 45 anos





     
     




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