PÃO NA CHAPA  


A gente já sabia...

    Quem conhece os caras já sabia: com Mineiro e Josué, a mais sãopaulina e melhor dupla de volantes do país, Riquelme, Messi e cia não iam tocar na bola. Dito e feito, e Dunga, que não é bobo, foi o primeiro treinador brasileiro de seleção brasileira a apostar nos dois. Com o reforço de outra legítima cria tricolor, Julio Batista, que abriu a goleada com um golaço contra os argentinos, ficou ainda mais fácil. Pra completar a grande vitória tricolor (uahahaha) contra os portenhos, o óbvio de novo: Mascherano (o sarrafeiro grosso apelador de sempre) e Tevez (aquele que joga muito menos do que dizem por aí), que sempre tomaram baile do Tricolor, não jogaram nada! De resto, os belos reforços ao mistão tricolor foram bem, como os laterais Maicon e Gilberto e o zagueiro Juan. Mas e o Doni, ex-corinthiano??? O impecável camisa 1 do Brasil é outra prova da cegueira alvinegra: precisou ser mandado embora do Timão pra brilhar na Itália e agora na Seleção. Parabéns ao Tricolinho, campeão da Copa América 2007!!!

    PS - Robinho, pra variar, não jogou nada numa final mas o Galvão ficou amenizando a amarelada dele! Ah se o Aloísio Chulapa tivesse ali, faria uma dupla mais que pesada com Julio Batista, mais poderosa que uma divisão inteira de tanques de guerra!!!

 


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 19h21 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Sobre a dignidade

    Buenos Aires, noite mais que gelada. Caminhava de volta ao meu hostel à procura de referências como as avenidas Santa Fé e a Córdoba. Pergunto onde está a Santa Fé a um senhor engravatado, de sobretudo chique, na porta de belo um prédio. Ele responde de cara amarrada. Pergunto também pela Córdoba e aí ele mostra que suas roupas caras e vida bem-sucedida não lhe ensinaram o mais importante. “Você me perguntou da Santa Fé!”. A estupidez gratuita me desarmou mas consegui falar para ele, ironicamente, “que simpatia”! Segundos depois um homem mais que humilde, enfiado num gorro surrado e roupa que não devia lhe proteger muito do frio, me aborda, “para onde o senhor quer ir?”. Esclareço para ele e o homem, com educação, simpatia e solidariedade me aponta a direção certa e ainda me diz quantas quadras preciso caminhar até a rua do hostel, a calle Anchorena (é, na verdade era essa rua que eu procurava, imagina se eu tivesse perguntado para o senhor engravatado por uma terceira informação...).

    A dignidade não é alimentada com sobretudos chiques, poder ou dinheiro. Ela habita apenas no coração dos homens de bem, nos homens decentes. Ricardo é um homem das ruas, trabalha seis dias por semana com sua carroça de madeira recolhendo papel e papelão das calles (ruas) e avenidas de Buenos Aires. Ricardo é apenas um sobrevivente das ruas, dando duro em um sub-sub-trabalho para poder alimentar sua família. Mas é nesse sobrevivente que pulsam forte alguns dos sentimentos mais belos e nobres que conheci na capital argentina. E o sorriso de sua filha ao posar para essa foto é algo que o senhor de gravata jamais entenderá. Um sorriso tão belo quanto triste, pois a menina sentiu-se finalmente percebida e reconhecida num mundo em que as pessoas que trabalham nas ruas são ignoradas ou tratadas feito animais.

    - Muito obrigado pela simpatia e educação, Ricardo, lhe disse antes de partir. O que recebi então em troca foi a expressão “por nada” (de nada) e um olhar tão belo, grato e puro que podia iluminar e humanizar o mundo.


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 11h18 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Memória e caos

    Não vi a abertura do Pan, estava preso no aeroporto de Buenos Aires com vôo cancelado. Mas soube da beleza maior da cerimônia: o reconhecimento aos heróis do passado, algo raríssimo em um país sem memória como o nosso (nesse ponto os argentinos nos dão aula, esquecer é um verbo que desconhecem). Bonito demais foi saber então que justo o homem que me fez escolher o atletismo como sonho de vida e realidade de garoto acendeu a pira panamericana. Ele, Joaquim Cruz, medalha de ouro em Los Angeles 1984, meu ídolo da prova a qual me dediquei em meus já longínquos mas inesquecíveis anos de corredor na prova dele, os 800 metros. Nobre também foi a homenagem aos primeiros brasileiros que ganharam o ouro em uma modalidade coletiva, o vôlei masculino da também inesquecível Barcelona 1992. Gostoso foi ler ontem que os jogadores repetiram o gesto daquela conquista e jogaram para o ar seu treinador daquela conquista épica, Zé Roberto Guimarães, hoje treinador das meninas do vôlei. E o grande Zé chorou emocionado ao reencontrar seus ex-comandados 15 anos depois. Bom, a festa também foi linda, mas agora que os Jogos começaram é duro agüentar a raiva das promessas não concretizadas pelo chefão dos Jogos, Carlos Arthur Nuzman. Além da indecência de dinheiro a mais que o Pan está custando a mais do que o orçamento inicial, as melhorias em transporte, despoluição de lagoas e mar para o Rio de Janeiro, simplesmente era mentira. E nem o transporte para as competições o Pan do Rio garante. Está um caos, segundo diz a imprensa e até os atletas estão sofrendo, como meus ex-alunos, da seleção brasileira de remo, que estão levando uma hora e meia para ir treinar (mais outro tanto para voltar) todo dia, em ônibus comum, espremidos. E pensar que nas quatro olimpíadas a que fui existiam linhas especiais para os jogos e gratuitas, era só apresentar o ingresso... E o Nuzman ainda teve a coragem de comparar o Pan do Rio com a Olimpíada de Atenas!


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 11h17 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





89 anos depois

 

* Perdoem a egotrip e os palavrões, mas realmente nos tornamos crianças de novo ao receber a benção da neve em Buenos Aires na última segunda-feira. Inesquecível e sorte foi pouco, porque a última nevada ali tinha sido em 1918...

 


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 10h44 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Um seculo depois...

- Nunca vi neve aquí, faz mais de um seculo que nao neva em Buenos Aires, nos diz a simpatica señora que olhava pela janela de sua casa os flocos que caiam do céu enquanto nos gritávamos e tirávamos fotos na rua. E foi assim, depois de 89 anos que nevou de novo na capital argentina com os brasileiros como nos como sortudos privilegiados. Mas viria mais: aquela neve tímida da tarde se transformaria em uma nevada de verdade, forte, no inicio da noite, quando víamos o espetáculo descer do céu em plena calle Florida. Foi um tal então dos brazucas pirando e tirando fotos e filmando. Com o mesmo sorriso de criança que tinha aquela velha senhora uruguaia de quem falei no comecinho dessa historia. Desse conto real, mas encantado, que nos apanhou em Buenos Aires.

Mas o encanto começou ainda na noite de domingo, quando uma simpática argentina, namorada do funcionário mais gente fina da pousada, nos guiou pelas ruas da cidade de noite, contando historias da Argentina e da cidade. Ela nos falava de Perón, de Evita, dos grandes cantores de tango (não so de Gardel), da luta dos argentinos por seus direitos (aqui eles não deixam nada barato, reclamam e conquistam seus direitos sem medo, unidos, se algo aumenta de preco, eles lutam ate o preco voltar) enquanto caminhávamos em direção a um templo do rock argentino, o bar Mitos da Argentina. Foi nesse bar que escutamos uma formidável banda de garotos cantando suas próprias musicas (nada de covers), com muita atitude e consciência, coisa bem rara por exemplo para a juventude brasileira. E como eles ficaram felizes quando conversei com eles depois e eles ficaram alegres pelos elogios. Atitude 100 por cento rock na roll nas letras das canções deles, falando de política, de uma sociedade mais justa, da vida.

O intercambio Brasil e Argentina prossegue forte também nas conversas de futebol, com trocas de elogios e impressiona como eles conhecem todos os nossos craques do passado, tinha um cara no bar que não parava de falar do Zico e lembrou ate do Jairzinho Furacao da Copa de 70.

Bom, fico por aqui porque esse micro da pousada e terrível de ruim, saudações de um brasileiro na neve, em Buenos Aires (carajoooooooooooooo!!!).

PS- aqui o metro custa 70 pesos, pouco mais de 50 centavos de real... Transporte publico com preço popular de verdade e isso.


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 08h59 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A luta que nao termina

     Plaza de Mayo, Buenos Aires. Toda quinta, 3 e meia da tarde. Elas surgem com os lenços na cabeça, as faixas e a mesma intenção: protestar contra seus filhos desaparecidos na época da ditadura militar argentina. Faz 30 anos que elas procuram, mas apenas 88 filhos foram encontrados dos mais de 30 mil desaparecidos. Na verdade as mães da Plaza de Mayo (a praça onde elas marcham) já são avos, mas seguem buscando seus filhos, que se vivos devem ter seus netos. Perguntei a uma delas por que  seguem lutando depois de tanto tempo. Ela olhou firme, me deu um sorriso e revelou: para que outros sigam vivendo. Como?, perguntei, ai ela disse que elas já criaram uma universidade, livraria, radio e lutam também para que os mais pobres tenham direito a uma educação decente. Quer dizer, elas tem outras lutas, outros problemas também. Elas não se importam “apenas” com seus filhos que sumiram na ditadura.

    Não da para conter a emoção ao vê-las marchar. Quanta forca devem ter para ainda marchar semana a semana, após 30 anos. Mas a luta e vitória valem a pena  demais quando elas conseguem encontrar um desaparecido, como aconteceu essa semana, uma mulher de 29 anos que foi raptada pelos carrascos militares logo após sua mãe dar a luz. A mãe sumiu, pois era da esquerda, provavelmente foi assassinada.      

Precisei ligar para o Brasil para contar das mães, agora avos, para uma das que se importam com a luta, alias, com todas as lutas por um mundo melhor. Para a ainda menina que chamo de “mais humana”. Ela não pode fazer muito ainda, mas sua voz me demonstra que um dia fará. E quem sabe não a ajudarei a lutar por mais humanidade.

    Depois das mães precisei ir embora, o que mais poderia fazer? Comprar coisas, fazer mais passeios, ver praças? Não podia mais nada.

   So podia te ligar, mais humana, obrigado por estar em casa! E que viva la revolucion !!!

   PS- Hoje vi o Fabricio e o Ortega por aqui sacaneando uns argentinos, depois tento postar as fotos... uahahahaha, surpresa


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 17h00 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Um café, uma vida

Uma das experiências mais portenhas possíveis é sentar num café, ler, pensar na vida e escrever enquanto se saboreia um cafezinho e come-se algo. As pessoas estudam  nos cafés, se interam do mundo com os jornais, lêem livros, e nao, meus caros, nao deixam de viver. Foi num artigo de jornal aquí em Buenos Aires que redescobri o grande poeta peruano da vida presente, Cejar Vallejo. “Senhores!, hoje é a primeira vez que  me dou conta da presenca da vida. Senhores! Rogo a vocês que me deixem livre um momento, para saborear esta emocao formidable, espontanea... que hoje, pela primeira vez me extasia e me traz até estas lagrimas…”

Claro que nao era pela primeira vez, Cesar apenas quer dizer que saboreia a vida  com a beleza e presente (saborear o momento, o agora) que ela merece. E esta “primeira vez” pode ocorrer a qualquer momento. E quem sabe viver guarda esses momentos por muito tempo, e transforma até o passado em presente.

Gostoso entao é saborear cada cantinho de Buenos Aires, suas belas ruas, parques, multidoes de cachorros, cafés, livrarias, monumentos, cancoes etc. Mas é preciso do olhar de Cesar Vallejo, é preciso de poesia para guardar cada coisa.

Para guardar a prosa amiga do señor José, meu xará de uma pequena mercearia na minha rua aquí que já viajou o Brasil todo e sempre tem um sorriso e uma brincadeira quando conversamos e claro, nao cansa de exaltar a mulher brasileira. Talvez porque a famosa carne argentina esteja mais no churrasco e nao nessas magrelas e mais magrelas sem corpo que vejo passar por aqui hehe.

Seu José vive da poesia com um bom papo com os brasileiros que recebe como irmaos. E deve saber que seu xara brasileiro aquí se orgulha de guardar a poesia como vive a vida, o que aprendi com meu pai poeta e minha mae, grande vivente, que me ensinou que um dia viajando bem aproveitado vale uma vida.

Talvez essa minha poesia venha do surf, das ondas que permanecem  em minhas sensacoes  mesmo ha um bom tempo longe delas. Talvez seja dos olhares e sorrisos que carrego comigo mto tempo, me dando combustivel para dias sem fim. Olhares como o de uma doce mulher e sua mirada verde de mar e  castanha do mel de sua voz e jeito de conversar. Olhos verdes-castanhos, olhos profundos, olhos marinhos, hum… voce mesma…

Talvez a poesia venha da emocao incandescente do esporte, da vida que explode a cada grito de gol e bela jogada, a cada sentimento de vitória.

Talvez venha dessa paixao pelas palavras lidas em um bom livro em que cada palavra é um acorde musical porque, sim, palavras sao cancoes quando lhe damos o devido valor.

Talvez seja essa poesia de lembrar e trazer comigo as filhas e filhos incriveis que a vida me deu, como a junior, voce mesma, que retribuiu com tanta verdade em um simples email a beleza que é estar ligado a ela de algum jeito. Como o junior roadie, que ofereceu aquele email de irmao que li, sim, antes de viajar, valeu, brother.

Meus amigos, percebo de novo a maravilha que é viver, agora, e logo mais vou a um tango moderno com guitarras, show da banda do amigo de Che no filme Diarios de Motocicleta. E hoje a garconete perguntou a um velhinho que sentou perto o que ele queria para beber no almoço. Ele olhou para ela com a certeza dos que já viveram bem demais e pediu com força e eternidade: vinho!

Claro, porque é preciso saborear a vida, ainda mais quando se está em Buenos Aires!

PS- Meninas pestes, minhas experiencias alimentares prosseguiram ontem a noite. Eu so queria um salgado para acompañar o capuchino e pedi uma torta de legumes. Mas o que veio parecia um bloco enorme de grama envolvido numa camada super fina de massa, mais fina que da pizzaria Cristal… Podem zoar suas pestes, e nao me perguntem que legume verde escuro era aquele, mas tomara que tenha sido apenas espinafre!                                                                                                           

 

Escrito por Zé Augusto Aguiar às 17h12 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





O almoco de um idiota na Argentina

Buenos Aires direto. Os caras sao loucos por esporte e familia. No caminho desde o aeroporto de Ezeiza ate o terminal de onibus tinha varias familias fazendo piquenique nos gramados, com os pais jogando futebol com os filhos e as maes abracando a filharada, muito bonito. Piquenique! Vcs ai, mocada, alguem lembre da ultima vez que fizeram um piquenique-interrogacao. Portanto, qdo eu voltar, ja ta marcado um piqueninque no parque villa lobos! Piquenique com caminhada, basquete e futebol.

Voltando ao esporte, os caras sao tao fanáticos que no onibus que peguei do aeroporto, quando acabou a maravilhosa cancao de recepcao, Hotel California, o maluco do motorista colocou na transmissao do jogo brasil e Chile pela Copa America! O cara nao tava nem ai se os passageiros iam curtir, ele queria era escutar o futebol haha

Mais fanatismo. Em qualquer cafeteria ou restaurante a tv la ligada ou no torneio de tenis de wimbledon , de dia, ou na Copa America, de noite.

FF. Almoco de hoje. Tipico de turista que arranha bem o español mas nao sabe algumas palavras. A mulher pergunta se quero salada ou pure para acompanhar o frango, ai ela fala pure de nao sei o que e eu respondo que sim, crente que era pure de batata... Bom, na hora que chega meu frango olho para aquele pure e lembro na hora da risada sarcástica da Bia e da Raissa! O pure era laranja e eu penso, sera que o pure tomou um pouquinho de sol, ta brozeadao, interrogacao. Caraca, metade do meu prato era pure de ABOBORA!!!! Uahaha, comi frango com pure de abobora!!! Nao conseguia nem andar depois disso, e para completar tinha tomado um bom copo de vinho.

E pra galera taradona, la vai. As argentinas seguem lindas e cheias de estilo, lembram as italianas nesses quesitos, mas por outro lado, seguem mais frescas que esse puta vento frio que ta fazendo hoje!!! E detalhe, elas podem ser lindas mas nao tem um decimo do charme das maravilhosas brasileiras. Elas sao mais duras e frias que as torradinhas do ridiculo cafe da manha que me serviram na pousada em que estou! Sim, um dia aqui e ja tenho saudade do charme irresistivel da brasileira especialmente de nossas morenas imbativeis!  

Bom, mocada, por hoje e so, ta na hora de dar um tempo depois de andar o dia todo, tomar um solzinho, ir na melhor livraria da cidade, tomar sol numa praca e curtir os 4 dalmatas que estavam ali, todos mansinhos e lindos, alias, todas, porque eram femeas e de olho azul! Ah, paguei meus pecados de reclamar da Capitu e da Babalu que me acordam as cinco e meia da manha latindo todo dia pra comer em Sampa, pois o quarto em que fiquei no hotel era barulhento pra cacete, do lado da rua! E a argentina metida da recepcao falou que de noite nao teria barulho!!! Tinha que ser loura!!! Mas que me perdoem as louras brasileiras, nem todas!

Abraco a todos!


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 15h26 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, ALTO DE PINHEIROS, Homem, de 36 a 45 anos





     
     




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