PÃO NA CHAPA  


Uma escola, um só time

Texto por ANA PAULA ALBINATI *

Fotos RAPHAEL LOUREIRO *

Ex-alunos. Hoje, heróis. João e Renan.

    Mais que uma escola, os alunos do Colégio Horizontes Uirapuru, em Pinheiros, formam um verdadeiro time unido. No final de novembro, toda a escola se emocionou com a palestra dos atletas que estudam ali com bolsa. Eles nos ensinaram o valor e beleza do esporte e ainda como conseguem treinar duro sem descuidar dos estudos. Entre diversas modalidades, descobrimos gigantes da vida em nossos próprios colegas.

O paulistano Lucas, do 2º colegial, que conhecíamos apenas como o craque do futsal da escola, revelou sua experiência em times de base no futebol. Já passou pelo Palmeiras, Nacional e atualmente treina na Portuguesa. Seu maior sonho? O garoto não poupa as palavras:

“Vou jogar na Seleção Brasileira.”

    Eduarda (2º ano), tem uma história diferente: a tenista saiu da calmaria de Marília e veio para a cidade grande em busca do seu sonho de jogar profissionalmente. Já venceu 25 torneios amadores e acaba de estrear como profissional. “Fiz meu primeiro ponto no circuito mundial”. Duda sabe que a vida no tênis é complicada, como em todo esporte, por isso “não se pode largar mão dos estudos, pois este caminho é muito incerto”. Talvez essa incerteza exista apenas para equilibrar a força que essa atleta carrega dentro de si. Força de continuar batalhando e vencendo.   

    Continuando no time das meninas, conhecemos Daniela e Victória, que apesar de categorias diferentes (no Paulistano) encontram-se no mesmo sonho:  continuarem sendo líberos dos times de vôlei que defendem. Apesar dos olhares frágeis de meninas do 9º ano e 2º colegial, mostram-se fortes para, como dizem, “levar porrada”, pois esta é a função que desempenham durantes os jogos. Tomam porrada das cortadas das adversárias para defenderem bolas quase perdidas.

Essa toma porrada sem medo. Victória.

    Além do esporte, o encontro teve também as lições das atletas das passarelas e sessões de fotos, as modelos Maria Emilia e Mariana. Ambas meninas do interior (Bauru e Pato Branco) que vieram tentar brilhar no mundo da moda paulistana, elas alertaram a molecada sobre os riscos da profissão: "Tem muita menina que convive com a gente que escolhe o caminho errado, das baladas e das drogas", revela Maria Emilia. Caso raro de modelos que dão o sangue na escola, ela ainda mostra como é diferente, junto da colega de classe (2o. colegial) e de apartamento, Mariana: "A maioria das meninas que moram com a gente vão mal ou desistem da escola. Não é o nosso caso."

 

Mariana e Maria Emilia. Modelos e estudantes exemplares

    Do vôlei ao basquete, Thomas, Nicholas, Diego e Pedro contam do sacrifício diário que fazem para estudar e treinar. Thomas acorda às 4 e 30 da madrugada, pega dois ônibus para ir à aula e depois passa a tarde treinando duro, até de noite. À noite ainda estuda para a escola antes de dormir e repetir tudo isso 5 dias por semana; fora os finais de semana em que passa competindo. Os quatro garotos, entre 14 e 17 anos, disputam campeonatos estaduais, nacionais e até internacionais, representando nossa seleção. Os sonhos e a vontade desses meninos são tão grandes que, apesar de suas alturas, não cabem em si próprios.

    A natação, o tae kwon do e a ginástica artística  também estão presentes no nosso grande time. Os nadadores Murilo Monteiro (Pinheiros) e Marina Ogawa (Paulistano); o menino das artes marciais, Guilherme Nogueira (academia Alto dos Pinheiros) e a ginasta Thamara (Paulistano) defendem clubes e academias em busca de títulos, sonhos e do bem estar que o esporte produz. Deixam o esforço físico, a dor e as críticas longe dos tatames, da piscina e dos aparelhos de ginástica.

    Chegamos depois ao remo, em que recebemos os ex-alunos que já são grandes professores e ídolos, Renan Koplewski e João Pallassão. Essa dupla, da seleção brasileira, é o espelho hoje para seus companheiros de clube (o Paulistano), Léo Cocci e João Victor Zago, ainda no 2º colegial. João e Renan, 21 anos, representaram o Brasil nos Jogos Panamericanos do Rio´2007 e Renan trouxe até uma maravilhosa medalha de prata no barco do 8 com timoneiro. Os remadores treinam em 2 períodos (no final da madrugada e final de tarde), em uma vida mais que sacrificada. Parecem viver como o ídolo que tem em comum, o boxeador do cinema, Rocky Balboa, mestre de um esporte chamado “lutar”.

João Zago. Começou a remar porque um dia viu uma palestra de João e Renan

    Por fim, o tradicional futsal da escola, um belo e apaixonado trabalho do professor de Educação Física, Fernando. Ele foi representado na palestra pelos irmãos Brito: a pequena valente, Natália, guerreira do bom time das meninas do sub 14; e Eduardo, o habilidoso ala do sub 17. “Por mais que nossos adversários sejam difíceis, ele sempre nos faz acreditar que podemos vencer”, revelou Natália.

     Finalmente, um agradecimento a um grande incentivador desses atletas, o professor de redação e “treinador para a vida”, Zé Augusto, que idealizou esse encontro. Independente das dificuldades que possamos ter, o Zé nos mostra o caminho da esperança que revelará o verdadeiro potencial que guardamos dentro de nós. Ele acredita que podemos tornar realidade, em nossas vidas, aquela canção do Queen: “We Are The Champions!”.

Escola toda mobilizada esperando os atletas

 

* alunos do 3o colegial do Colégio Horizontes

 

 

 

 


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 18h40 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Um cachorro na esquina

    Ontem fim de tarde. Esquina da Heitor Penteado com a Pereira Leite. Farol fechado na minha pista, para pegar a descida da Pereira. Na direita, zilhões de carros e buzões indo pra Lapa ou Cerro Corá. Foi quando o vi. Um cachorro felpudo (tipo sheepdog, mas metade do tamanho) com cara triste, muito triste, olhava caladão, parado-sentado em frente de uma portinha pequena e detonada ao lado de um muro sujo. Devia se tratar de um cão humilde, de dono que não tava nem aí pra dar um banho no meninão acinzentado. E, com aquele olhar triste, e com a fachada deteriorada daquele lugar (de onde ele parecia vir), desconfiei que o bicho não recebia muita atenção, carinho e cuidado. Comecei a viajar, vendo a calma e pose de estátua do bicho, sobre a estupidez e loucura daquele monte de carros e pessoas com pressa e mal humor dentro da maioria dos veículos.

    O que o cão devia pensar da vida apressada, estressada e cinzenta dos paulistanos? Qual o sentido de estarmos sempre em movimento, mas sentados dentro de um estúpido carro ou ônibus, veículos ou sem graça (o carro é a solidão em 4 rodas e anda cada vez mais caro) ou desconfortáveis e ultra barulhentos (buzão)? Sorte de quem pode curtir o conforto e barulhinho gostoso do metrô, que ainda permite ver as pessoas, até dar uma secada na mulherada, mas isso, claro, longe do horário de pico e das proximidades das estações Paraíso ou Sé... e longe do isolamento dos mps3´s e iPods, esses castradores do contato e relacionamento humano, mas isso é assunto pra outro post...

    Volto ao cão e seu olhar triste de desconsolo com si próprio e com essa neurótica humanidade da grande cidade. A visão que levaria pra minha casa seria de tristeza e pena, de nós e do bichinho, mas aí eles apareceram. A pé, claro. Ele, aquele típico sangue bom de bem com a vida, andando com uma mulher e fazendo-a sorrir. Ela, uma bela gata que sabe sorrir fácil e sincera. Pois ela passou do lado do bichinho, falou algo com ele e foi então que o cão mais triste do mundo deu o olhar mais bonito e doce do mundo. Ele virou o pescoço, ela seguia falando com ele enquanto caminhava e o olhar do bichinho era uma explosão de amor à primeira vista e carinho pidão.

    O sinal abriu, tive que vazar. Mas tenho certeza que aquela bela moça, em todos os sentidos (até na blusa amarela alegre que usava), retornou um passo e fez um cafuné gostoso e inesquecível no bichinho. Depois ela teve que voltar ao seu trabalho e o cãozinho deve ter ficado parado ali na frente daquela portinha horas e horas esperando-a voltar.

    Ela não volta e ele tem que voltar, se arrastando e com o velho olhar triste, pra dentro daquela portinha toda zoada e mal cuidada. Ou fica parado de novo olhando a estupidez e violência do transito e dos humanos (?) que não falam com ele nem dão uma paradinha pra lhe fazer um agrado.

    Eta vida besta. Mas, graças a Deus, o mundo voltará a girar quando outra bela mulher ou criança pura parar naquela esquina para acarinhar o cachorro que parecia um santo abandonado esperando para que se provasse que a humanidade está perdida de vez ou ainda tem salvação.


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 18h55 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Renascer

    É para lá que corremos.

    É para lá que deveríamos poder correr todos os dias.

    É lá que deveríamos entrar todos os dias.

    É de lá que ouvimos o chamado mais intenso. O chamado que faz um surfista e um vivente ter mais sentido. Ter mais vida.

    Lá. Para o Pai Azul.

    Lá. O Lar.

    O lar mais parecido com aquele lugar de onde viemos, de donde nascemos, o ventre líquido tubular de nossa mãe. O tubo materno.

    Preso aqui nessa cidade sem mar e ainda amargando uma dura dor na coluna (que teclar aqui só agrava, mas se não posso surfar, deixar também de escrever seria o mesmo que parar de respirar), o único alívio é esse vídeo e essa canção. Verdadeiro remédio muito melhor que esse comprimido que não faz efeito que estou tomando.

    O remédio das lembranças da infância e adolescência de corredor. O santo remédio do destino final ser o mar.

    Nunca gostei nem na verdade procurei conhecer direito a banda Belle and Sebastian, mas a melodia e o canto suave dessa canção conseguem nos transportar no tempo e no espaço. Por 3 minutos e 23 segundos estou sem dor correndo para o mar.

    Correndo, correndo, sonhando, vivendo.

  

    * Obrigado ao pessoal do melhor blog de surfe e vida do mundo, o Ondas (http://ondas.weblog.com.pt), por ter nos dado mais um presente, justo eles que deveriam é ganhar presentes, por fazerem 5 ano de vida. 5 anos de ondas poéticas e profundas como esse vídeo maravilhoso que pegaram de um gênio do cinema e uma banda que faz, sim, sonhar e (re)viver.

 


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 08h54 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Que saudade do tênis dela...


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 21h30 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Juventude dourada

    O mar é aonde levamos nosso coração. Como diria Renato, “nosso suor sagrado”.

    Por isso que é possível, mesmo longe da catedral azul, vivenciar a intensidade das ondas; a beleza e paz de olhar o mar e querer tudo; o desejo de esperar o mesmo tudo do horizonte, da série de ondas que se aproximam. Da série de ondas de seres humanos que fazem a mais bela session fora da água: o conviver com as pessoas que querem viver do jeito azul-ondulatório; que querem surfar com as pranchas de suas vontades e sonhos.

    Por isso que é possível surfar em terra firme. Basta reeducar o olhar, o ouvido e o tato que subitamente, mesmo entre quatro paredes, ficamos descalços: pés, corpo e coração livres como se estivéssemos pisando na praia.

    Talvez essa a grande lição dos surfistas: mesmo longe das ondas, carregam-desaguam o sal, maresia, água, sol e seus solos de guitarra-pinturas vivas-dança de passeios-brincadeiras chamadas surfar. 

    Talvez por isso às vezes até levamos a prancha pra dentro de nosso trabalho, mesmo longe do mar. Porque a prancha combina demais com aquilo que os outros chamam de estudantes e eu prefiro chamar de viajantes.

    Viajantes porque belo demais é o momento em que eles e elas percebem que aquilo que os outros chamam de aulas nós chamamos de viagens. Viagens pra dentro do mundo, dos sentimentos e dos valores mais nobres.

    Viagens que os cegos pensam ser pirações ou liberdades em demasia.

    Piração é não perceber que só é possível educar e aprender quando vemos de outras formas. Quando vemos um professor e percebemos o surfista. Quando vemos um estudante e vemos um passageiro ao qual não podemos ensinar verdades; podemos apenas mostrar caminhos, realidades e sonhos.

    Semana passada me despedi de viajantes maravilhosos que aprenderam a surfar a onda mais ampla e difícil em apenas um ano supersônico. Amanhã me despeço de outros passageiros incríveis (que vi crescerem e se tornarem gente formidável) da incomparável trip chamada vida. Espero que nos reencontremos nos outsides do futuro.

    Espero que vocês todos compreendam o que uma pequena enorme surfista, a Ju, captou em seu último texto:

    “Obrigado por todos os caldos e obrigado por me ensinar a surfar nessa onda de palavras que é a vida.”

    Eu que agradeço, pequena, por terem surfado comigo com tanta emoção e entrega. E por terem me ensinado outras ondas, tão belas e intermináveis como seus afetos, poesias, cartas e filosofias cheias de esperança.  

    Keep surfing.

    E como bem escreveu outra jovem surfista, lembrando o mais belo livro-filme da juventude (Outsiders), stay gold, moçada. Não deixem que a carreira e o trabalho apaguem os ponyboys e ponygirls que um dia foram.

    Vivam e cresçam mas continuem dourados.

    E deixem as luzes acesas...

 


Escrito por Zé Augusto Aguiar às 21h42 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, ALTO DE PINHEIROS, Homem, de 36 a 45 anos





     
     




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